Enfim, um Natal com jeito de Natal: a família reunida, um momento de prece, muita risada, poucos presentes, bastante fé.
Neste ano, os menos entusiastas resolveram abraçar a causa e vivenciar momentos de leveza. Acho que um mínimo de reflexão fez com que percebessem que é uma época em que o que é pobre é mais ajudado do que em outras datas do ano, o já falecido é mais lembrado com mais carinho e por aí vai.
Eu sempre desejei algo assim.
Nos outros anos, lembro-me do povo lá de casa resmungando. "Tenho que sair para comprar presente para fulano, sicrano e beltrano. Que saco!". "Não sei o que dar para aquela menina. Ela já tem tudo!". "Por isso que odeio Natal...". E por mais que eu tentasse argumentar, sempre havia uma resposta pronta.
Mas este ano... a coisa mudou. Houve uma espécie de acordo. Tácito. E descobrimos que funcionou.
Já há planos para o ano que vem.
E ninguém reclamou de filas ou de crise.
Agora, só falta convencer a galera de que peru nem é tão gostoso assim. Por que não experimentar uma picanha natalina?
sábado, 27 de dezembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
Ela vivia reclamando. Não tinha dinheiro, nunca. Se ia comprar um sorvete, ficava torcendo para que a casquinha quebrasse para conseguir algum desconto. Geralmente, isso acontecia. O pensamento tem força. Muita.
Ela também se queixava do quanto as coisas eram caras por aqui. Ainda s fazia notar um pouco daquele ranço interioriano.
Se tinha que fazer a cópia de um documento, ia a outro bairro para sair mais em conta. Sempre achei esquisita esta expressão. Sair em conta. E também nunca entendi a lógica da coisa. Sabe aquilo: o sujeito despenca de casa (ele mora no mesmo prédio da copiadora!) e, alguns quilômetros depois, encontra outra... copiadora! Claro, as cópias lá saem... mais em conta! Mas será que ela contabilizou a passagem? Sim, claro. Ela é mesquinha, mas não é burra. Aliás, teve até um dia em que ela fez um monte de conta e resolveu que não ia sair para comer com a turma porque, se comece no barzinho perto de casa, economizaria 2 reais! Será que ela contabilizou o gasto com o papel, caneta e luz? (Aqui, estou sendo irônico, tá?)
Bem... Fato é que, tudo isso, sempre o incomodou muito. Ele viveu toda uma vida com pessoas exatamente assim ao seu lado. Era sempre aquela história: não posso ir ao cinema com você, pois tô dura, dura... E ele: ok, eu pago sua entrada. E ela aparecia com a roupa nova. Ele, com o all star desbotado e o jean rasgado.
Ela não arca com todas as despesas, mas viaja no revéillon. Ele pede a Iemanjá uma luz. A outra, não podia visitá-lo porque não tinha dinheiro para o ônibus (e nem motivo para copiar documentos ou chaves ou o que fosse perto da sua casa), mas estava com um casaco lindo (com etiqueta e tudo!), quando se esbarraram, ainda naquela tarde. Ah, e tem a outra também, que conseguia ficar na pindaíba alguns segundos depois do dia do pagamento. Mas a poupança ainda tá gorda....
Enfim... ele fica triste. E preocupado. Já viu muito sofrimento em toda essa história. E acha que é egoísmo viver algumas dessas situações em um momento em que sua vida está tão frágil.
Ele tem medo de que elas não percebam a vida toda passando. E seus mundinhos ficando fechados em algumas cifras.
Ele sofre em silêncio. E gostaria muito de poder pagar para mudar esta situação.
Ela também se queixava do quanto as coisas eram caras por aqui. Ainda s fazia notar um pouco daquele ranço interioriano.
Se tinha que fazer a cópia de um documento, ia a outro bairro para sair mais em conta. Sempre achei esquisita esta expressão. Sair em conta. E também nunca entendi a lógica da coisa. Sabe aquilo: o sujeito despenca de casa (ele mora no mesmo prédio da copiadora!) e, alguns quilômetros depois, encontra outra... copiadora! Claro, as cópias lá saem... mais em conta! Mas será que ela contabilizou a passagem? Sim, claro. Ela é mesquinha, mas não é burra. Aliás, teve até um dia em que ela fez um monte de conta e resolveu que não ia sair para comer com a turma porque, se comece no barzinho perto de casa, economizaria 2 reais! Será que ela contabilizou o gasto com o papel, caneta e luz? (Aqui, estou sendo irônico, tá?)
Bem... Fato é que, tudo isso, sempre o incomodou muito. Ele viveu toda uma vida com pessoas exatamente assim ao seu lado. Era sempre aquela história: não posso ir ao cinema com você, pois tô dura, dura... E ele: ok, eu pago sua entrada. E ela aparecia com a roupa nova. Ele, com o all star desbotado e o jean rasgado.
Ela não arca com todas as despesas, mas viaja no revéillon. Ele pede a Iemanjá uma luz. A outra, não podia visitá-lo porque não tinha dinheiro para o ônibus (e nem motivo para copiar documentos ou chaves ou o que fosse perto da sua casa), mas estava com um casaco lindo (com etiqueta e tudo!), quando se esbarraram, ainda naquela tarde. Ah, e tem a outra também, que conseguia ficar na pindaíba alguns segundos depois do dia do pagamento. Mas a poupança ainda tá gorda....
Enfim... ele fica triste. E preocupado. Já viu muito sofrimento em toda essa história. E acha que é egoísmo viver algumas dessas situações em um momento em que sua vida está tão frágil.
Ele tem medo de que elas não percebam a vida toda passando. E seus mundinhos ficando fechados em algumas cifras.
Ele sofre em silêncio. E gostaria muito de poder pagar para mudar esta situação.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Talvez a sensação de fracasso seja, relativamente, tão desgastante quanto matar um pernilongo: nosso inimigo parece sempre menor que a gente, mas incomoda, incomoda, incomoda tanto que um simples zumbido causa arrepios. E o alívio só vem quando vemos o sangue escorrer entre as mãos.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Insegurança.
Não sei se á assim que funciona, mas se Deus perguntar para a gente o que queremos da próxima encarnação ( claro, sei que ganhamos somente de acordo com nosso merecimento!), eu direi que quero- preciso!!!- ser mais confiante, seguro.
Ultimamente, estava querendo acreditar que meus erros eram provenientes do meu período de inferno astral. Ok, isto tem realmente alguma relevância, porque nos últimos tempos o mar não tem estado para peixe. No entanto, ao fazer uma retrospectiva mais aguçada de minha existÊncia terrena, percebo que sempre foi assim: há o medo do incerto, a sensação mais do que ruim de que estou sendo enganado o tempo todo e a descrença total quanto as minhas potencialidades.
Com isso, lá se foram boas oportunidades de trabalho, boas chances de relacionamento com pessoas bacanas que, simplesmente, deixaram de ser amigos e passaram, foram... Houve também a chance de dias felizes que, no final das contas, viraram tragédias, no sentido mais denotativo que tal palavra possa expressar.
Preciso de mais estabilidade. Sei que isso vem de dentro.
Tenho me esforçado e me orgulho disso, mas há os rompantes que me tornam aquele garoto chato, mimado, que fala as coisas sem pensar e depois não colhe os frutos: eles simplesmente apodrecem sem que eu me dÊ conta de que amadureceram há muito.
Tenho medo de perder, mas com isso acabo perdendo sempre.
(...)
Não quero deixar para a próxima. Estou lutando. Mas quando a batalha é interna, os duelos sao mais demorados e bem menos fascinantes.
Ultimamente, estava querendo acreditar que meus erros eram provenientes do meu período de inferno astral. Ok, isto tem realmente alguma relevância, porque nos últimos tempos o mar não tem estado para peixe. No entanto, ao fazer uma retrospectiva mais aguçada de minha existÊncia terrena, percebo que sempre foi assim: há o medo do incerto, a sensação mais do que ruim de que estou sendo enganado o tempo todo e a descrença total quanto as minhas potencialidades.
Com isso, lá se foram boas oportunidades de trabalho, boas chances de relacionamento com pessoas bacanas que, simplesmente, deixaram de ser amigos e passaram, foram... Houve também a chance de dias felizes que, no final das contas, viraram tragédias, no sentido mais denotativo que tal palavra possa expressar.
Preciso de mais estabilidade. Sei que isso vem de dentro.
Tenho me esforçado e me orgulho disso, mas há os rompantes que me tornam aquele garoto chato, mimado, que fala as coisas sem pensar e depois não colhe os frutos: eles simplesmente apodrecem sem que eu me dÊ conta de que amadureceram há muito.
Tenho medo de perder, mas com isso acabo perdendo sempre.
(...)
Não quero deixar para a próxima. Estou lutando. Mas quando a batalha é interna, os duelos sao mais demorados e bem menos fascinantes.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
desilusão.
Como dizia a sábia Carla Perez, pau que nasce torto, nunca se endireita. Pois é, até a coreografia eu sei de cór.
Eu sempre acreditei que as pessoas pudessem mudar, até porque eu quero acreditar num mundo melhor, mas hoje eu tive a certeza de que a história não é bem assim.
O pior é que, desse enredo, eu já estou cansado.
Eu sempre acreditei que as pessoas pudessem mudar, até porque eu quero acreditar num mundo melhor, mas hoje eu tive a certeza de que a história não é bem assim.
O pior é que, desse enredo, eu já estou cansado.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Sem sentido.
De repente, tudo parece meio vazio. E colocar em prática as idéias já consolidadas a respeito da imortalidade da alma torna-se tarefa das mais complexas...
E tudo remete à presença da ausência: no caderno de estudos, um último exercício de português. Na esquina, o cheiro delicioso de picanha. Pelos corredores, aquele barulhinho do seu andador, anunciando a sua chegada (se fosse uma corrida, você certamente seria o campeão!). Na tevê, relembro os reality shows... você chegou a dizer que eu participaria de um, lembra? Provavelmente aquele dos gordinhos que tinham que perder peso!
E as palavras... como ganharam outras definições... nunca mais vou falar "gambiarra" sem me lembrar de você, rasurando rapidamente o seu caderno antes que eu chegasse com a borracha apagando um errinho...
Hoje você se torna "desinencial" para mim, da maneira como eu tentei explicar e vocÊ logo pareceu entender. Você está aqui, pertinho, mas eu não vejo. Mas sei que está. E com vocÊ eu aprendo tanto, meu amigo!
Queria ter tido mais tempo. Queria tanta coisa com vocÊ ainda...
Obrigado por passar em minha vida.
Obrigado por ficar em minha vida. Para sempre.
E tudo remete à presença da ausência: no caderno de estudos, um último exercício de português. Na esquina, o cheiro delicioso de picanha. Pelos corredores, aquele barulhinho do seu andador, anunciando a sua chegada (se fosse uma corrida, você certamente seria o campeão!). Na tevê, relembro os reality shows... você chegou a dizer que eu participaria de um, lembra? Provavelmente aquele dos gordinhos que tinham que perder peso!
E as palavras... como ganharam outras definições... nunca mais vou falar "gambiarra" sem me lembrar de você, rasurando rapidamente o seu caderno antes que eu chegasse com a borracha apagando um errinho...
Hoje você se torna "desinencial" para mim, da maneira como eu tentei explicar e vocÊ logo pareceu entender. Você está aqui, pertinho, mas eu não vejo. Mas sei que está. E com vocÊ eu aprendo tanto, meu amigo!
Queria ter tido mais tempo. Queria tanta coisa com vocÊ ainda...
Obrigado por passar em minha vida.
Obrigado por ficar em minha vida. Para sempre.
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